Projeto teve início em janeiro de 2016

A ajuda que vem da bola

"A gente não faz o projeto pensando em ganhar as coisas, faz pensando em fazer o bem.", Diego Roberto, dirigente do projeto

Um projeto social que atende meninos de 6 a 18 anos criando a oportunidade de um futuro melhor. Esse é o objetivo de Diego Roberto Moreno, que desenvolveu e administra o “Projeto Caminho do Viver" há mais de dois anos e no próximo dia 16, Diego será agraciado com um Voto de Aplauso na Câmara Municipal de Araçatuba, graças ao projeto que desenvolve.

"A gente não faz o projeto pensando em ganhar as coisas, faz pensando em fazer o bem. Mas claro que todo reconhecimento que vem dele me deixa contente. São dois anos e quatro meses de projeto e eu alcancei várias coisas, coisa que eu não esperava. Deus tem abençoado e tem dado muito certo", enfatiza Diego.

O projeto teve início em janeiro de 2016, quando uma moradora do bairro procurou Diego, que é formado em Educação Física (licenciatura) e daí avançaram com a iniciativa, que hoje atende cerca de 80 crianças. "Até então, o projeto seria de iniciação esportiva com vôlei, basquete, handebol e futsal. Ai chegou à quadra e só tinha meninos. Eles disseram que queriam futsal", explica sobre o início, que contava com oito jovens. A primeira conversa com a moradora foi em agosto de 2015.

Diego explica que "o projeto é de seis até 18 anos, mas os que estouram a idade acabam ficando com a gente". O papel do professor vai além das simples aulas. Ele acaba sendo um amigo e instrutor dos meninos. Os treinos ocorrem na quadra da Escola Ezequiel Barbosa e na quadra da Emef Professo José Machado Neto, aos sábados.


MOTIVAÇÃO

"Ver os meninos tendo oportunidade, saindo um pouco do mundo em que eles vivem" é uma das motivações do jovem professor na vida dos pequenos. Diego lembra que muitos de seus alunos moram com as avós, ou passam muito tempo fora de casa, o que demanda uma atenção especial.

"O que me motiva é quando chega um professor da escola e fala que um menino melhorou o desempenho curricular ou então uma avó vem me agradecer pelo que eu faço com o neto dela, porque ele também mudou para melhor em casa", se emociona.

O fato de muitos dos jovens terem talento para a função é outra motivação de Diego. "Muitos têm um talento que era desperdiçado ou ficava escondido. Tem um potencial enorme para jogar bola e a gente sabe que na periferia é que nascem os maiores craques. Então, tendo a base que eu forneço para eles, conseguem ingressar na carreira", simplifica.


DIFICULDADES

No início, Diego se deparou com várias limitações para desenvolver o projeto com os jovens do bairro. De ausência de bolas, shorts, camisetas, coletes e tênis e, até mesmo, quadra exposta ao sol, o professor e os jovens já passaram por várias dificuldades. "Quando se vai começar algo para o bem ou ajudar alguém, a gente recebe muito não. Inclusive a Secretaria de Esportes, no início, barrava muita coisa, não dava apoio. Hoje, temos um apoio pequeno, que já é muito para mim", revela.

O professor também conta que "quando íamos disputar jogos em outras cidades, não tínhamos transporte para levar os meninos. Tínhamos que buscar parceiros para fretar ônibus e era uma coisa bem complicada". Na quadra que começaram a ensaiar, além do sol e o cimento quente, a grama e as árvores que invadiam o espaço também foram enfrentados.


ASSISTENCIALISMO

Além da parte esportiva, o projeto estimula o cuidado dos jovens em outras áreas, como a saúde. Uma parceria com o posto de saúde do bairro fará o atendimento dentário aos jovens. "O dentista veio falar comigo e relatou os problemas bucais que eles enfrentam. Eram inúmeros os casos que precisaram de uma atenção especial".

A carência é outro ponto lembrado por Diego no momento das aulas. "No sábado, eu dou treino para crianças de seis a 10 anos, os menores. Eles chegam de bicicleta sozinhos, eu não sei quem é o pai. A alimentação também faz falta. Se eu levar uma bolacha, um pão, por mais simples que seja, faltam brincar para comer um pedaço", explica.


AJUDA AO PROJETO

Através da página do grupo no Facebook, eles aceitam qualquer tipo de doação. "Aceito todo tipo de material esportivo. Desde bola, camiseta, short, colete, meias, luva de goleiro e todo o resto", relembra Diego, que também enfatiza que "quando vamos para os campeonatos, tudo é pago: inscrição, viagem, alimentação, arbitragem, tudo".

Os interessados podem ajudar o grupo pela página de contato do grupo: https://www.facebook.com/saojosefutsalclube/. "Se alguém quiser ajudar ou patrocinar, estamos abertos para receber. Um mercado que queira oferecer um guaraná ou uma padaria que queira doar um pão, a gente aceita tudo", finaliza.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.399717

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