Diarista Eliane Gonçalves foi atendida na quinta (10)

25 mil esperam por consulta no AME, afirma Prefeitura

Dados vieram à tona a partir de questionamentos da Folha sobre atendimento de diarista

Vinte e cinco mil moradores de Araçatuba aguardam por uma primeira consulta no AME (Ambulatório Médico de Especialidades). Esse número foi divulgado durante a semana pela prefeitura em resposta aos questionamentos sobre a demora no atendimento da diarista Eliane Gonçalves, que esperava há quatro anos por consulta com reumatologista.

A prefeitura chegou a informar que o AME havia suspendido as primeiras consultas com reumatologistas, por isso a demora no atendimento a Eliane. O Estado, por meio da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde negou essa informação.

Eliane foi atendida na quinta-feira (10), depois que a Folha da Região publicou duas reportagens contando o drama dela. Com lúpus há sete anos, a diarista sofre as consequências da doença e recentemente descobriu uma patologia grave nos pulmões. Em entrevista à Folha, Eliane disse que a médica reumatologista que a atendeu já solicitou vários exames. No entanto, ela ainda espera atendimento com pneumologista.

De acordo com a Prefeitura de Araçatuba, a demora para o atendimento de Eliane ocorreu porque há quatro anos o AME, via Secretaria de Estado da Saúde, não oferece mais primeiras consultas dessa especialidade e também de endocrinologia pediátrica, hepatologia e nefrologia. O ambulatório estadual também suspendeu consultas de acupuntura e fisioterapia, mas, segundo a prefeitura, é porque não havia quantidade de pacientes para manter os atendimentos.

A prefeitura explicou que Eliane estava na fila de espera para reumatologia desde o dia 22 de outubro de 2014. Em novembro de 2015, a administração municipal implantou um novo modelo de encaminhamento para regular o acesso, e todos os pacientes que aguardavam até então na fila, independentemente da especialidade, precisariam passar por reavaliação na UBS (Unidade Básica de Saúde) de origem para inclusão no novo modelo.

Só que nesse intervalo de tempo, o AME deixou de oferecer as primeiras consultas para reumatologia e Eliane acabou ficando em uma lista que poderia demorar muito mais tempo. "No caso da usuária Eliane, foi solicitado por esta Secretaria (Municipal de Saúde) mediante reavaliação do quadro e classificação de risco realizada pela UBS, a intervenção do Departamento Regional de Saúde - DRS 2, na possibilidade de ceder uma cota interna em favor dessa usuária", acrescenta a nota da prefeitura.

Ainda segundo a gestão municipal, "não é possível oferecer novas consultas (de reumatologia), devido ao número de pacientes que estão em acompanhamento interno". Conforme a prefeitura, o AME oferece para atendimento na rede municipal consultas nas seguintes especialidades: cardiologia, cirurgia geral, cirurgia vascular, dermatologia, endocrinologia, gastroclínica, ginecologia, hematologia, mastologia, neurologia, neurologia pediátrica, obstetrícia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia e pneumologia.

RECLAMAÇÕES

Durante a semana, a Folha recebeu vários comentários na página do Facebook de leitores reclamando que aguardam há vários anos por atendimentos no AME. Entre as especialidades aguardadas estão oftalmologia e ortopedia.

A reportagem questionou a prefeitura sobre como são definidas as prioridades para encaminhamento. De acordo com a assessoria de imprensa do Executivo, as prioridades são identificadas pelos médicos na hora do atendimento, sendo os profissionais que definem o grau de urgência. "Eles fazem o encaminhamento, que é inserido no sistema como alta, média ou baixa prioridade", explicou o diretor do Departamento de Assistência Especializada, Paulo Ernesto Geraldo.

INAUGURAÇÃO

O AME foi inaugurado em 2010 pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB) para atender 27 cidades da região. A capacidade divulgada na época era para até 199 mil consultas médicas, 60 mil consultas não médicas (psicólogos, enfermeiros e nutricionistas), 72 mil sessões de fisioterapia e 468 mil exames de apoio diagnóstico.

A unidade, com 2.683 metros quadrados, teve um investimento total de implantação de R$ 6,2 milhões, entre obras e equipamentos. Desde então, o município luta para a construção de um AME cirúrgico. Atualmente, esses procedimentos são feitos em São José do Rio Preto.

Só no ano passado, cerca de quatro mil encaminhamentos para cirurgia que foram enviados ao AME de Rio Preto pela Prefeitura de Araçatuba - a maioria para cirurgias de média complexidade - foram devolvidos. O DRS-2 (Departamento Regional de Saúde) de Araçatuba informou à prefeitura, na época, que a medida foi adotada porque o serviço não realiza cirurgias em pacientes residentes nessa região.

Os encaminhamentos são, no geral, para cirurgias de otorrinolaringologia, ortopedia, varizes, cirurgia geral e cirurgias oftalmológicas (glaucoma e cirurgias combinadas). Segundo a prefeitura, para os procedimentos e cirurgias que o município tem referência, o agendamento está sendo realizado de acordo com as vagas disponíveis.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.404326