Érika Tamura, de Araçatuba, atua na Sabja, ONG (Organização não Governamental)de assistência a brasileiros no Japão

Érika Tamura: Dicas para quem quer visitar o Japão

Ultimamente, tenho atendido uma grande demanda de turistas brasileiros no Japão. Faço o receptivo de cada um, por isso, achei interessante escrever sobre algumas dicas para quem pensa em vir passear no Japão. Primeiramente, atente-se ao clima. Aqui, as quatro estações são bem definidas, então, dá para se programar melhor em relação a roupas e acessórios.
 
O povo japonês é muito educado e, na maioria das vezes, tem boa vontade em ajudar. O problema maior é que são poucos os que falam inglês e menos ainda os que falam o inglês que conseguimos compreender (o inglês dos japoneses é com muito sotaque, o que dificulta a compreensão). Portanto, é sempre boa a ajuda de um intérprete ou até mesmo do aplicativo do celular que ajuda na tradução.
 
Outra dica para quem vem passear e busca por gastronomia, tirem da cabeça tudo o que já saborearam de comida japonesa no Brasil. A comida japonesa no Brasil é adaptada ao paladar brasileiro, portanto, não serve de parâmetro quando chegarem aqui. Estou cansada de ouvir: “Nossa, a comida do Japão não tem sabor, falta tempero...” ou “Na Liberdade, não é assim não...”. Por favor, esqueçam a liberdade, venham com a mente aberta e limpa, na condição de turista mesmo, para aproveitarem cada detalhe enriquecedor. Aliás, detalhe é o que não falta.
 
Para quem gosta de conhecer cultura, essa é a chance de se aprofundar numa cultura totalmente diferente da nossa, portanto, prepare-se. Livre-se de qualquer estereótipo que envolve o Japão, venha para o Japão, viva o dia a dia e aprenda como é de verdade. 
 
O que mais me irrita quando acompanho um turista e acho que irrita os japoneses também é o tal do jeitinho brasileiro. Meu Deus, que mania infinita é essa de querer burlar regras ao seu favor?
 
Imaginem a cena: “Quero jantar nesse restaurante”, disse a turista. “Hoje é fechado, senhora". Respondi, depois de ligar lá. E a turista insiste: “Mas você não pode usar da sua influência e conseguir uma vaga para mim? Dá um jeitinho aí...”
 
Uma vez, escutei da polícia do Japão, enquanto eu fazia uma tradução, uma indagação que partiu do policial japonês: “Por que os brasileiros não conseguem cumprir as regras? Tudo vocês querem argumentar, querem pedir um por favor, querem dar um jeito, e até chegam a implorar para não ter que seguir a regra, isso pode ser considerado pelo japonês, um caso de corrupção também, já que o que vale não é o valor e sim, o ato em si e a intenção”.
 
Notaram como é importante a informação dos costumes de cada país? Eu, quando fui para Abu Dhabi, estudei tudo o que tinha à disposição, para não chegar lá e ofender o povo local, devido a uma gafe da minha parte. Até a roupa era pensada nos mínimos detalhes, afinal, é um país muçulmano.
 
Entendo que a inflexibilidade dos japoneses atrapalha um pouco também, pois há casos que é o extremo, sendo que daria para se chegar no meio termo. Por exemplo, fui a um restaurante e a minha cliente queria apenas o macarrão, e o garçom disse que não podia, teria que pegar todo set, que incluía salada, pão e sobremesa. Tudo bem, pedimos o set, pagamos pelo combo e só comemos o macarrão que era o que queríamos mesmo. É uma pena, pois os dois lados perdem...
 
O Japão não é só compras, se bem que acho muito propício para o consumismo, mas a cultura é linda, os costumes são únicos. Acho que o turista tem que andar de metrô sim, para sentir o cotidiano, visitar os museus, prédios, templos e o mais fascinante é a combinação do moderno com o tradicional. 
 
O palácio imperial em Tóquio é um exemplo. De um lado, o palácio, onde vive a família imperial, com aquela arquitetura tradicional, e bem à sua frente, os prédios modernos, espelhados e imponentes, mostrando que o moderno convive lado a lado com o antigo, sem nenhum choque. Volto a escrever sobre mais dicas, afinal são tantas. Aceito sugestões também...
 
Érika Tamura, de Araçatuba, atua na Sabja, ONG (Organização não Governamental)de assistência 
a brasileiros no Japão.
LINK CURTO: http://folha.fr/1.375865

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