Folha da Região - Artigo: A relao entre pais e filhos

Artigo: A relao entre pais e filhos

Jos Antonio DAngelo +++ --- Encaminhar Erro Imprimir


Domingo - 01/06/2008 - 03h01



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Eu costumo dizer que criar filhos o maior dos desafios que os pais podem ter. E mesmo, porque ns, pais, sofremos muito para educ-los seguindo a nossa tica de comportamento. Colocando em destaque apenas a nossa viso de como trat-los, no os compreendemos, no respeitamos a individualidade de cada um e damos nfase que dispomos de verdades e experincias de vida suficientes para torn-los homens de bem.

Quando digo que sofremos para educ-los quando acontecem os primeiros atos de rebeldia e, a partir da, sentimos que aos poucos perdemos o controle sobre eles. Esquecemos que, apesar de serem sangue do nosso sangue, cada um age de forma diferente e reage aos ensinamentos e correes tambm de modo distinto.

Assim, penso que antes de tornarem-se pais, o ideal seria o casal ter noes sobre o que representa ser pai e me, aprender com a psicologia infantil, se reciclarem quando o filho atinge a fase de adolescncia e, de preferncia, completar os estudos com uma "ps-graduao".

Mas e os filhos, no poderiam tambm aprender como entender seus pais? Mesmo com todo esse aprimoramento scio-familiar, as falhas e conflitos vo surgindo medida que os filhos crescem, saem do "ninho", e recebem naturalmente as influncias externas, diferentes daquelas empregadas em casa.

complicado, no mesmo? Soluo? difcil responder mesmo com o corao cheio de entusiasmo. Porm, no devemos desistir nunca, porque filho no se abandona e se ignora, e nem deve ser tratado como um marginal. Quantas vezes temos motivos de sobra para baixar a guarda e exclamar, j desesperanados: "seja o que Deus quiser!". Imagino quantos pais sofrem dcadas com filhos desajustados. Quanta dor, angstia e choro por causa de filhos. Quantas noites mal dormidas esperando a volta deles para casa ou apreensivos em receber um telefonema na madrugada com uma notcia ruim, informando que eles esto numa delegacia porque dirigiam embriagados e causaram um acidente, ou, em razo de uma briga na boate, ou ainda, que portavam drogas, praticavam vandalismo e, pior, estavam mortos. Situaes como essas so deflagradas diariamente em milhares de lares. Quando penso na minha adolescncia a comparao inevitvel!

Na minha poca, droga no corria solta como hoje. Brigas em bailes e confrontos entre gangues em estdio de futebol e ruas no causavam tanta apreenso como as vividas nos dias atuais. Desastres como conseqncias de rachas somavam-se nos dedos da mo, em um ano todo.

Desobedincia em casa ou na escola era repreendida com rigor pelos pais e professores. Respeito por esses era sinnimo de educao. Baladas, festa rave, no existiam e a diverso era a paquera saudvel na praa da cidade, nas noites de sbados e domingos, onde se permitia o pegar na mo e beijos discretos na frente de adultos. Os "amassos" eram praticados s escondidas dentro do cinema ou na volta para casa. Carro, nem pensar! Nos finais de semana, poucos jovens (devidamente habilitados) tinham autorizao para sair com o carro do pai. Enfim, uma poca mais "light", mais "clean".

Todavia, como tudo muda, o tempo de mudanas trouxe chagas que hoje assolam o mundo: as drogas, aliadas s bebidas alcolicas, cujo consumo entre jovens assustador, o vcio de fumar, a permissividade sexual entre adolescentes com a prtica do aborto como resultado final dessa irresponsabilidade, a desobedincia sem limites, a impunidade acobertada por leis arcaicas e a ausncia de dilogos entre pais e filhos. O resultado dessa sopa envenenada o descontrole de uma sociedade doente, sem referncias, sem rumo, que no consegue se unir para combater tanto mal.

Movimentos para esse fim so muitos, mas pouco efetivos porque no existe do outro lado uma motivao poltica para dar estrutura e suporte a esses grupos que sobrevivem graas ao trabalho abnegado de voluntrios. Padecemos de lderes que exortam o bem, que primam pelos bons exemplos de conduta e tica, de pais sem compromisso com a responsabilidade paterna, carentes de moral e de bons costumes, sem tempo para cuidar, sem autoridade.

A luta desigual porque o mal se alastra com a omisso de muitos, e bem disse Martin Luther King: "No me preocupa a ao dos maus, mas o silncio dos bons". A busca pela paz em casa diria, constante, como fazemos todos os dias nas refeies para suprir a nossa fome. Se deixarmos de comer por alguns dias o corpo enfraquece e sucumbe. Essa paz o nosso po.

Essa paz ser o nosso sustento emocional. Pais e filhos precisam entender-se porque, sem esse acordo, ambas as partes sofrero, mais cedo ou mais tarde, os males de uma doena que aos poucos mina a nossa fora, destri nossos sentimentos, aniquila reaes e provoca perdas irreparveis.

Existe uma frmula mgica para resolver esse desentendimento colossal entre pais e filhos? No creio, mas acredito na histria da semente plantada em solo frtil, adubada de tempos em tempos, regada todos os dias e corrigida enquanto cresce seu tronco. Aparando seus galhos, que, s vezes, teimam em fugir do nosso controle, certamente, essa rvore dar bons frutos.

Jos Antonio DAngelo corretor de seguros em Araatuba.

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