Folha da Região - Thermas da Noroeste é vendido e vai dar lugar a um novo parque aquático

Thermas da Noroeste é vendido e vai dar lugar a um novo parque aquático

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Domingo - 02/03/2008 - 03h01



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Valdivo Pereira - 09/05/2007
               
Fechado desde 2006, o balneário Thermas da Noroeste, oficialmente, já não existe mais


Agora é oficial. O balneário Thermas da Noroeste, de Araçatuba não existe mais. Fundado em 1984, o clube foi vendido no fim de 2006, mas só agora o procurador responsável pelas questões jurídicas que envolvem o antigo empreendimento confirmou a negociação. Um grupo que possui outros empreendimentos em diversas áreas, como construção civil e propaganda e marketing, foi quem arrematou o clube, que deverá ser demolido. Em seu lugar, será erguido um grande parque aquático.

A Folha da Região conseguiu localizar um dos empresários pertencentes ao grupo, que confirmou a informação. Por telefone, José Manoel de Campos Silva disse que até o fim deste mês será feito o lançamento oficial do novo parque, com a apresentação do projeto às autoridades municipais e à população. "Só posso adiantar que Araçatuba ganhará o maior presente de todos os tempos", afirmou.

Ele confirmou que, legalmente, do antigo clube não resta nada e que o grupo que está assumindo o negócio fez uma arrematação judicial. Ao todo, foram adquiridos 14 alqueires de área e do que existe hoje nada será aproveitado. O valor a ser investido não foi divulgado.

Com a negociação, os associados do antigo Thermas da Noroeste deixam de ter ligação com o novo parque a ser construído. Entretanto, Silva afirmou que o grupo está "analisando com carinho" a situação dos antigos freqüentadores, que deverão ter condições especiais para freqüentar o empreendimento.

O empresário informou que alguns diretores do novo parque já estão se mudando para Araçatuba, mas, por enquanto, não há previsão de quando as obras deverão ter início. O nome do novo parque já foi registrado, porém, ele não quis revelá-lo, por estratégia de marketing. Entretanto, adiantou que será um nome que divulgará Araçatuba em todo o Brasil. "Estamos querendo fazer o melhor para Araçatuba, pois estivemos na região e percebemos que a população está carente de uma área de lazer desse tipo", comentou.

O advogado responsável pelas questões jurídicas do Thermas da Noroeste, Waldiner Rabatski Limieri, confirmou que estão sendo mantidos contatos com os empresários do grupo que arrematou o balneário para negociar a possibilidade deles incorporarem os antigos sócios. Ele disse que o interventor do clube ainda não deixou o cargo, na expectativa de que essa negociação seja concretizada. "Como os novos diretores não têm interesse em 'brigar' com os moradores de Araçatuba, acreditamos que chegarão a um consenso", comenta.

De acordo com o que tem sido discutido, Limieri acredita que a obra do novo parque aquático esteja concluída em dois anos. Porém, como deverá ser construído em etapas, poderá entrar em funcionamento antes desse prazo.

DÚVIDAS - Associada ao Thermas da Noroeste desde 1985, a aposentada Elza Moura Aquino, 66 anos, diz que freqüentemente recebe telefonemas de pessoas de outros estados do País que querem saber novidades. Ela revela que sentiu muito quando o clube foi fechado, pois mora em frente ao local e o freqüentava todos os dias, o dia todo. Antes, Elza residia em Santo André e mudou-se para Araçatuba para se tratar nas águas quentes do thermas.

"Sempre tive muito orgulho do balneário e sonhava que ele se tornaria um grande empreendimento e se tornaria o paraíso de Araçatuba. Agora eles dizem que o thermas será reinaugurado em 2010, como uma réplica do que existe em Olímpia. Vamos ver", diz, se referindo aos Thermas dos Laranjais, um dos maiores empreendimentos do gênero do interior de São Paulo.

SEM ÁGUA - O poço de água quente do Thermas da Noroeste foi lacrado em 20 de junho de 2006 por determinação judicial e desde então se aguarda autorização do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) para que seja reaberto.

Limieri revela que muitos associados entraram na Justiça logo após a interdição, requerendo os valores pagos pela anuidade, que não foram devolvidos. Algumas dessas pessoas já tiveram ganho de causa, porém, não há de quem cobrar a indenização.

Por isso, orienta os associados que tiverem dúvidas a procurarem o escritório do clube, que funciona na rua dos Fundadores. Mas, para ele, o ideal é que aguardem o desdobramento da negociação com os novos empresários. "Caso entrem na Justiça, poderão ganhar a causa, mas não receberão nada", afirma.

O advogado comenta que o último laudo feito da água do thermas apontou que ela tem Ph 9,4, passando a ser considerada medicinal e não mais apenas termal.

Falta de informações preocupa os associados

Desde junho de 2006, os associados do Thermas da Noroeste de Araçatuba aguardam um posicionamento oficial da diretoria a respeito do que será feito do clube, que foi fechado depois que a Justiça determinou a lacração da bomba que abastecia as piscinas com águas termais.

O economista Adhemar José Figueira, 55 anos, que atualmente reside em Brasília (DF), é uma das pessoas que se sentem prejudicadas pela falta de informação. Ele conta que, apesar de não residir em Araçatuba há cerca de 5 anos, vem à cidade todos os meses e não consegue saber a quantas anda o processo de reativação do clube.

Segundo ele, na última vez que foi até o local pedir informações, a funcionária que atendia no guichê lhe disse que a documentação estava regularizada, mas aguardavam apenas uma licença para voltar a funcionar. "O pior é que da direção do clube mesmo a gente não recebeu nenhum comunicado e ninguém sabe nada a respeito, o que é lamentável", comenta.

Figueira diz que devido ao impasse, fica sem saber como proceder, pois gostaria que o clube voltasse a funcionar. Mas caso isso não ocorra, pretende reaver o dinheiro da anuidade que pagou no início de 2006, pois não pôde usufruir dos benefícios, já que o clube foi fechado no meio do ano.

Ele conta que pagava mensalmente sua contribuição como sócio, mas em 2006 optou por pagar de forma integral devido ao desconto que foi oferecido no início do ano. "Muitos amigos meus também pagaram todo o carnê e não sabem o que fazer agora", informa.

IMPASSE - O diretor do Procon de Araçatuba, Caio Luís de Paula e Silva, explica que por se tratar de contrato entre clube e associados, não se caracteriza uma relação de consumo, por isso não é previsto pelo Código de Defesa do Consumidor nenhuma ação por parte do órgão nesse caso. Por isso, apesar de muitas pessoas terem procurado o Procon da cidade para solicitar providências, todos os casos foram arquivados.

Como o Thermas foi fechado por decisão judicial, Silva explica que cabe aos associados que se sentirem lesados procurarem um advogado e caso não dispuserem de recursos, entrarem em contato com a Defensoria Pública do Estado. "Dependendo do entendimento, esses associados têm direito a receber o dinheiro que pagaram de volta e até acionar o clube por danos morais", comenta.

Ele lembra que uma ação parecida foi tomada com relação ao clube Candeias Esporte Lazer e Recreação, que emitia cobranças consideradas indevidas e abusivas pelos usuários. "Como naquele caso havia um jogo de empurra e ninguém tomava providências, nós elaboramos um pedido em nome de aproximadamente 500 sócios e entramos com uma ação no juizado. Na ocasião, 80% dos associados fizeram acordo com o clube, deixando de pagar as prestações e tendo o contrato cancelado", afirma.

AÇÃO - O coordenador regional da Defensoria Pública de Araçatuba, Pedro Antônio Avellar, conta que não tem conhecimento de nenhum processo relativo a esse caso porque oficialmente ninguém procurou o serviço. O ideal, de acordo com ele, é que se mova uma ação coletiva em nome de todos os associados que se sentirem lesados, mas que isso também pode ser feito de forma individual. "Se alguém nos procurar temos condições de designar uma pessoa para levantar o que está acontecendo e tomarmos as providências cabíveis", afirma.

Avellar explica que o primeiro passo é verificar se o clube voltará ou não a funcionar. Depois, solicitar reparação material aos associados e quem sabe até danos morais, o que precisa ser avaliado caso a caso. "Pode-se até requerer o pagamento de multa por parte do clube por rompimento de contrato, dependendo do acordo que foi feito entre com os associados", conclui.


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