Folha da Região - Só professor de Português corrige erros?

Só professor de Português corrige erros?

Hélio Consolaro +++ --- Encaminhar Erro Imprimir


Quarta-Feira - 24/10/2007 - 03h01



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Recebi um e-mail do internauta Edson Marques. Leia e sinta o drama do jovem professor:

Sou professor de escola pública em Paulista, região metropolitana do Recife.

Meus alunos do ensino médio estão fazendo um abaixo-assinado para impedir que eu corrija erros ortográficos, de concordância verbal e de sentido lógico das informações.

Apesar de que nunca baixo os conceitos por tais erros (e sempre deixei isso claro) eles estão revoltados, pois afirmam que tal ação é competência privativa dos professores de português.

Analise o fato por outra ótica. Há um dado a levar-se em conta: fato de uma refinaria, estaleiro e todo um complexo portuário estarem instalando-se no litoral pernambucano tem gerado uma corrida afobada para as salas de aulas.

Os educandos em questão estão há vários anos sem estudar Há uma carência afetiva muito grande nestes alunos relevar erros é visto como sinônimo de fracasso para eles.

Eles não estão abertos para reconhecer que são humanos e podem errar. Olham para o erro como algo constrangedor.

Tais alunos têm mais de 20 anos de idade, são adultos em sua maioria.

O senhor tem algum texto que aborda tal situação. Qual a sua sugestão.

(Edson Marques - professor de Geografia, Sociologia e Filosofia)

RESPOSTA: professores, diretores, coordenadores, funcionários, todos devem se empenhar em passar aos alunos o exemplo do bom uso da linguagem, nem mesmo tolerando no pátio da escola cartazes e a distribuição de panfletos com erros de Português.

Tudo isso deve ser feito de uma forma consciente, com participação de todos, não se trata de ordens de cima para baixo. Esse clima da boa linguagem deve ser consensual, envolvendo todos os alunos num projeto pedagógico específico.

Inicialmente temporário, mas paulatinamente se tornando permanente.

Todos os professores devem apontar os erros porventura cometidos pelos alunos em trabalhos e avaliações, não precisa descontar pontos na nota, mas o aluno deve ter direito a uma explicação do motivo do erro. Com uma equipe de professores com trabalho sincronizado, a linguagem dos alunos evolui, não os deixando reféns da mídia.

Pelo relatado, depreende-se que seus alunos estão mais atrás de um diploma do que de fato aprender. Isso precisa ser dito a eles. Explicar-lhes que mais vale um rolo de papel higiênico do que um canudo que não corresponde à sabedoria de seu portador.

Quanto ao erro, sempre lidamos mal com ele, queremos mais achar culpados do que resolver os problemas. Quando um aluno erra, o professor tem a grande oportunidade de ensinar, não se pode ter medo de errar e nem o professor deve fazer um escândalo, causando constrangimentos, diante dos erros.

Levar em conta a afetividade em sala de aula é trazer o aluno como parceiro do professor, sem essa parceria, o professor não ensina nada, tudo que ele falar será rejeitado.

O bom vendedor é aquele que consegue a simpatia do cliente.

Com a reação dos alunos, como o professor Edson Marques apresentou, talvez esteja lhe faltando conquistar a confiança dos alunos, trazê-los para o lado dele, ou seja, ser amigo deles. Ter a verdade em mãos não basta, precisa ter o jeito de dizê-la.

Leia sobre o erro em "Por Trás das Letras": http://www.portrasdasletras. com.br/pdtl2/sub.php?op=corrigir/docs/cap5

TESTE DA SEMANA
(RESPOSTA)

"Ao ler este texto, surgiu uma discordância quanto ao uso dos porquês: 'Nós nos perdemos em um mar de 'por quês'. Por que isso, por que aquilo. Por que comigo? Nós nos afundamos nos 'por quês' em tudo...'

Estou discordando da forma como foi usada no último caso, ou seja, acho que deveria ser 'Nós nos afundamos nos 'porquês' em tudo...'. Estou certo?" (Roberto Antônio Félix Felo)

RESPOSTA: tanto o primeiro como o último porquê deviam ser escritos como uma palavra só e com o acento, pois são substantivos. E nada de aspas. Ficaria assim: um mar de porquês / afundamos nos porquês.

TESTE DA SEMANA
(PERGUNTA)

"Sou revisora de textos jurídicos e acho que o plural de 'processo-crime' é 'processos-crimes', só que li alguns textos que empregam 'processos-crime', mas eu não concordo. Gostaria de saber a sua opinião." (Rita de Cássia Cognac Carelli)

Você, caro leitor, terá a resposta na próxima quarta.

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