Folha da Região - 'Sei o que é melhor para mim. Se não vou viver feliz, prefiro morrer'

'Sei o que é melhor para mim. Se não vou viver feliz, prefiro morrer'

Agência Estado +++ --- Encaminhar Erro Imprimir


Quinta-Feira - 16/02/2017 - 09h15



Atualização: 19h38 de 16/02/2017



José Humberto Pires de Campos Filho afirma que sua decisão segue sua consciência. "Sei o que é melhor para mim. E o melhor é viver do jeito que vivia antes, e era feliz. Se não vou viver feliz, prefiro morrer", disse. Humberto falou ao Estado minutos antes de sair de casa para fazer aquela que espera ser uma das últimas sessões de hemodiálise. "Estou indo por ser obrigado pela Justiça, mas eu vou lutar para derrubar a liminar", afirmou.

Uma liminar do juiz Éder Jorge, da 2.ª Vara de Trindade, interditou parcialmente o rapaz para que seja obrigado a submeter-se ao tratamento. "É um tratamento insuportável, contínuo. E não cura, será pelo resto da vida. Sinto muita dor, passo muito mal, saio da máquina superdebilitado. Não quero isso para minha vida. Não compensa viver assim", disse.

Sobre a possibilidade de um transplante, capaz de devolver a função renal, ele acha que não é a cura. "Tem transplantado que consegue ficar alguns anos bem, mas outros não. O rim de cadáver tem mais chances de rejeição. Não serve para mim. Posso até mudar de ideia, talvez, mas hoje é o que penso e quero. Estou indo porque a Justiça me obriga." Ele conta que recusou a oferta da mãe, que pretendia ceder um rim. "Não quero transferir tudo o que estou passando para ela. Minha mãe já tem idade, pode haver problema na cirurgia."

Ao ser questionado se não vale a pena lutar enquanto há vida, já que muitas pessoas enfrentam tratamentos difíceis contra o câncer e muitas vezes se recuperam, ele disse que não tem a força dessas pessoas. "Meu tratamento é muito doloroso e não vejo futuro, não quero viver assim. É melhor que seja do meu jeito. Vou brigar por esse direito."

Ética. De acordo com o Código de Ética Médica, em seus artigos 22, 24 e 31, é vedado ao médico deixar de obter o consentimento do paciente (ou de seu representante legal) sobre práticas diagnósticas ou terapêuticas de seu tratamento (salvo em caso de iminente risco de morte). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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