Folha da Região - Mulheres ganham destaque no mundo da música sertaneja

Mulheres ganham destaque no mundo da música sertaneja

André Carbone - Folhapress +++ --- Encaminhar Erro Imprimir


Quinta-Feira - 18/06/2009 - 03h01



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Reprodução
               
Paula Fernandes interpreta o sucesso "Jeito de Mato" em "Paraíso"


O que as novelas "Paraíso'', da Globo, e "Poder Paralelo'', da Record, têm em comum? Em suas trilhas sonoras, contam com músicas sertanejas interpretadas por mulheres. Paula Fernandes e Janaina Kais são as representantes femininas na trama global.

Estreando em carreira solo, Soraia Bauer, 38 anos, tem música na novela da Record. Depois de desmanchar em 2002 a parceria com o irmão, na dupla Wilson & Soraia, ela passou um tempo distante da música e, neste ano, lançou seu primeiro disco solo.

Assim como elas, outras cantoras da turma das botas e dos chapéus vêm ganhando espaço no mundo sertanejo, dominado pelos homens (veja mais ao lado). "Em todas as áreas, a mulher está conquistando o seu espaço. Chegou a vez da música sertaneja'', diz Paula Fernandes.

A mineira de 25 anos está no quinto disco e transita entre o sertanejo e o pop. Ela canta "Jeito de Mato'', tema de Santinha (Nathália Dill) em "Paraíso''. Janaina Kais dá voz a "Mulher pra Namorar'', tema de Aninha (Juliana Boller) e suas amigas, também da trama global das seis. "Compus a música depois de levar um "bolo''', revela.

A paixão pelo gênero pode ser explicada por um motivo geográfico. Boa parte delas vem de cidades do interior. "Sandy e Wanessa poderiam ser grandes cantoras sertanejas, mas, apesar de serem filhas de artistas do gênero, foram criadas na cidade, e o gosto influencia'', diz Janaina.

SEM ESPAÇO

Se hoje a dupla Ellens se prepara para lançar seu segundo disco e tem a música "Tem Quem me Ama'' nas rádios, há oito anos, quando as irmãs paranaenses Dailyelen e Katyelen resolveram se juntar, as dificuldades eram maiores. Segundo elas, era raro encontrar quem estivesse disposto a investir em uma dupla feminina. "Quem investe vai optar por aquilo que já rola no mercado, no caso, as duplas sertanejas masculinas. Nós ficávamos em segundo plano'', afirma Dailyelen, irmã mais velha e primeira voz da dupla.

Veterana no gênero, Mary, parceira de Marilene há 62 anos na dupla As Galvão, acha que, durante muito tempo, os temas machistas e o público da música sertaneja, que é predominantemente feminino, foram fatores que afastaram as mulheres do palco. "O grande problema é que a mulher não prestigia a mulher, mas isso tem mudado. Mesmo assim, a mulher no sertanejo tem de ser perseverante'', diz ela.

Na opinião de Nathália Siqueira, vencedora do "CountryStar'' (Band), em 2007, o sertanejo universitário foi um grande aliado para que as mulheres ganhassem mais espaço na música sertaneja.

Após explodir em todo o Brasil, impulsionando a carreira de duplas como Victor & Leo e César Menotti & Fabiano, o gênero, para a cantora, também fez com que elas passassem a ser vistas com outros olhos dentro desse universo. "O sertanejo é uma música de muito romantismo. Hoje em dia, com o universitário, que tem temas diferentes, as mulheres (que são fãs do gênero) estão perdendo o preconceito e gostando de ouvir cantoras'', diz ela. Influenciada pelo country de nomes como Dixie Chicks e Keith Urban, Nathália trabalha em um novo disco.

Mais do que ser adepta do sertanejo universitário, Maria Cecília, primeira voz da dupla Maria Cecília & Rodolfo, tem sua história no gênero totalmente ligada à faculdade. Ela conheceu o parceiro quando os dois cursavam Zootecnia em Campo Grande (MS). Lançaram em maio o primeiro disco, com o hit "Você de Volta''. Ao contrário da maioria das cantoras, que já começaram no sertanejo, Maria Cecília veio do pop. "Eu tive uma banda de MPB e pop rock, mas não deu certo. Aquilo não era para mim. O destino me mostrou o caminho do sertanejo'', afirma.

O gênero universitário pode até ter dado um empurrãozinho para as mulheres, mas não é uma unanimidade entre elas. "Fico até com medo de cair nesse rótulo porque a moda pode passar. Gosto de fazer um som de qualidade, que vai ficar'', afirma Soraia.

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