Folha da Região - ARTIGO: Exposição ao ridículo

ARTIGO: Exposição ao ridículo

Vera Lúcia G. Galdeano +++ --- Encaminhar Erro Imprimir


Quinta-Feira - 07/05/2009 - 03h01



Google+


               
Vera Lúcia Garcia Galdeano, colaboradora desta Folha, é professora em Birigui e escreve semanalmente neste espaço.


A história do trabalho infantil e adolescente remonta ao início do próprio trabalho, quando o ser humano dependia da agricultura para subsistência. Na época corporativa, o jovem, sob auxílio do mestre, realizava atividades marcadamente didáticas, segundo as disciplinas da Corporação de Ofícios Medievais. Isso levou ao surgimento de propostas concretas de proteção ao trabalho da criança e do adolescente. Entre 1802 e 1867, 17 leis inglesas foram editadas para a proteção do trabalho das crianças e dos jovens.

No Brasil, a evolução histórica da proteção trabalhista não coincide com a do continente europeu. A manutenção do trabalho infantil e adolescente decorreu do subdesenvolvimento e da precária situação econômica da população. Em 1943, Getúlio Vargas, em meio às fortes pressões populares, outorgou a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que estabeleceu a idade mínima de doze anos para o trabalho. O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) promulgado em 1990 veio regulamentar os direitos e garantias assegurados às crianças e adolescentes pela Constituição de 1988, dentre eles o direito ao trabalho.

Há algumas regras que limitam a exploração do trabalho adolescente. É interessante ressaltar que tanto o salário quanto as férias regem-se pelas normas regulamentadoras do trabalho adulto. O desenvolvimento pessoal e social do educando tem preferência sobre a atividade laboral, servindo como capacitação do jovem para o trabalho regular. Seria uma boa alternativa de qualificação e inserção futura do jovem no mercado de trabalho, visto que concilia a formação profissional e educacional do jovem.

Esbarramos em grandes dificuldades para a aplicação efetiva do trabalho educativo. Todos os quesitos se encaixam no trabalho educativo, até mesmo a principal justificativa: complementar a formação profissional do voluntário.

A situação de exploração do trabalho de crianças e adolescentes é questão muito mais ampla e grave que a questão meramente normativa. Mesmo se existissem leis perfeitas para regular a relação de trabalho dos menores no Brasil, ainda assim teríamos um País onde subsistem os mais absurdos tipos de exploração do trabalho e até mesmo a escravidão.

Um dos mais absurdos e bizarros tipos de exploração do trabalho infantil que está evidente a todos, com certeza também a muitos promotores e juízes das varas da infância e da juventude, é a atuação da garotinha de seis anos, apresentadora de um programa de televisão. Obviamente, por mais precoce que possa ser, a garota não tem discernimento suficiente para avaliar todas as implicações do seu envolvimento profissional.

Queremos acreditar que tanto os pais quanto o canal de televisão estejam operando sob contratos e autorizações legais, não se trata disso, mas da ostensiva e deliberada exposição ao ridículo.

Discuti-se aqui o conhecimento de que a realidade é o ponto de partida no processo de construção do conhecimento; dela se extraem os elementos para pensar o mundo.

Cada parcela da realidade contém ao mesmo tempo singularidade e totalidade. Entender o aqui e o agora significa entender simultaneamente o longínquo, o mundo. A compreensão da realidade requer então um processo de ir e vir no espaço, do próximo ao distante, numa continuidade em que ambos se explicam.

Quando a criança começa a refletir sobre sua realidade imediata, sobre o seu cotidiano, ela começa a ter condições de compreender o mundo, isto porque passa a ter noções de que as transformações ocorridas na sociedade são feitas pelos homens através do trabalho e que dependendo da maneira como esses se relacionam entre si o espaço social vai adquirindo formas que materializam estas relações.

A personagem que se torna "Maisa" ao interagir com o espetáculo televisivo, estimulada pelo jogo de palavras e ações, consegue distinguir realidade de ficção? É capaz de promover questionamentos internos e responder aos por quês? É modelo ou referencial para as crianças que a assistem?

Abram páginas e páginas na internet para se dar conta do quanto a imagem desta criança é construída diante dos internautas. Como serve a chacotas e também a outras mídias, como a televisiva, que reproduzem suas imagens debaixo de gargalhadas e delírio cômico.

Há o que se pensar e há o que se fazer.

Comentários
Comente esta matéria

Atenção: os comentários são moderados. Seu e-mail e telefone não serão divulgados, mas é necessário informá-los. Opiniões agressivas e palavrões não serão publicados neste espaço. Forneça seu nome completo.

Nome completo *
CPF *
E-mail (Não será publicado) *
Cidade *
Profissão *
Telefone (Somente números) *

* Informe seu nome completo, caso contrário a opinião não será publicada.
** Por favor, não escreva textos apenas em letra maiúscula.

Máximo de 500 caracteres.
Se quiser escrever um artigo para o jornal, envie o texto para artigos@folhadaregiao.com.br





Autoriza publicação desta opinião no portal e no jornal impresso?

Sim    Não

Folha da Região Facebook Twitter Instagram Google+ TV Araçatuba no Youtube Assine a Folha da Região Classificados Image Map
Expediente Telefones Comercial Classificados Contato Opiniões
Copyright Folha da Região. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha da Região.
Rua Joaquim Fernandes, 445 - Jardim Nova Iorque - CEP 16018-280 - Araçatuba/SP - Brasil - Telefone +55(18)3636-7774