“Colagem Coletiva Brasil” está exposta no Pólo Avançado do Sesc, em Araçatuba

Tesouras como pincel

Tesouras como pincel

“Desenhando com tesouras", assim o pintor e desenhista francês Henri Matisse explica a arte da colagem. A técnica, utilizada em diferentes escolas e movimentos artísticos, é a base do trabalho do goiano João Colagem (que incorporou a expressão ao nome).

Ele e o artista plástico Wemerson Dhamaceno apresentam um pouco deste conceito na exposição "Colagem Coletiva Brasil", no Pólo Avançado do Sesc, em Araçatuba, até o dia 29, de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.

Encontrada no Cubismo, Futurismo, Dadaísmo e Surrealismo, a colagem influenciou vários artista do século 20. A peça "Fruteira e copo", apresentada em 1912 pelo francês Georges Braque, é uma das primeiras colagens da arte moderna. Com "Copo e garrafa de Suze", também elaborado em 1912, Pablo Picasso inaugurou uma série de experimentações com a técnica, utilizando papéis colados e desenhos a carvão.

Diferente de outras manifestações das artes plásticas, a colagem explora a criatividade do desenvolvedor sem exigir a conclusão de fases de formação técnica. A idéia é experimentar. "É um tipo de arte que pode ser desenvolvida por pessoas de todos os tipos, que se baseia na liberdade, aceitando desde a composição mais simples até a cheia de detalhes", comenta Dhamaceno, que também é goiano, mas só conheceu João Colagem há dois anos, por meio da internet.

Morando atualmente em Penápolis, Dhamaceno atua com colagem desde 1997 e é um dos membros do grupo "Colagem Coletiva Brasil", criado por João. Este, por sua vez, mora na Holanda há 14 anos, onde ministra aulas sobre a arte e promove exposições.

ESTILOS
Enquanto Dhamaceno aplica características dos movimentos surrealista e pop art em suas peças, João Colagem entrecruza em suas composições o barroco brasileiro e a sensibilidade da atmosfera holandesa.

"Para um positivista como eu, cabe-me todas as aberturas para ver um mundo positivo, porque não sou quadrado e nem retilíneo, mas sim de ampla cosmovisão", comenta o artista. "A essência dos trabalhos é a difusão do lado humano, social e didático da arte."

Os artistas explicam que a base da técnica de colagem está impregnada de símbolos. Para tanto, utilizam matérias de diversas texturas ou totalmente lisas, superpostas ou colocadas lado a lado, na criação de um motivo ou imagem. O trabalho, desenvolvido pelo grupo coordenado por João na Holanda e Michelle van Dijk Annet Scholten, nasceu há quatro anos. No Brasil, o grupo é representado por Dhamaceno, Max Miranda e André Bragança.

OFICINA
Os interessados em conhecer a colagem - e desenhar com tesouras - podem participar de uma oficina que será ministrada por João e Dhamaceno no dia 29 deste mês, às 9h, para crianças, e às 14h, para adultos. As inscrições podem ser feitas, gratuitamente, até o dia 27, pelo telefone (18) 3608-5400, no Pólo Avançado do Sesc Araçatuba, que fica na rua José Bonifácio, 39.

A técnica que será apresentada pelos dois artistas é a mesma utilizada nos trabalhos que integram a exposição "Colagem Coletiva Brasil". A equipe da programação cultural do Sesc explica que a didática que será aplicada ultrapassa os conceitos da técnica, aprofundando a busca de imagens do inconsciente e consciente.




Edição impressa



- Assine a Folha
- Acesse a edição digital e anteriores (assinante)
- Experimente a edição digital por 15 dias

A Folha


- Sobre
- Diretrizes
- Expediente
- Contato
- Telefones
- Classificados
- Grupo no Whatsapp

Blogs da Folha


- A Morte sem tabus
- A vitória pela educação
- Coluna Ciência