Fogo em galhos e folhas secas na avenida Genaro Frascino

Queimadas urbanas crescem e fumaça prejudica moradores

Queimadas urbanas crescem e fumaça prejudica moradores

O outono é a época do ano em que ocorre a maioria das queimadas urbanas. Elas são provocadas, geralmente, por pessoas que decidem eliminar as folhas que caem das árvores, e também restos de poda, por meio de pequenas fogueiras promovidas nos quintais ou em terrenos baldios.

A grande quantidade de fumaça no ar, somada à umidade relativa do ar que oscila para baixo até o fim do inverno, provoca transtornos como secura na garganta e nos olhos, além de problemas respiratórios e ambientais.

Ontem (26), pela manhã, parte do bairro Nova Iorque, em Araçatuba, foi coberta por fumaça devido a uma queimada na avenida Genaro Frascino, antigo traçado ferroviário. O fogo atingia galhos e folhas secas e provocou grande nuvem de poluição do ar, que causou transtornos aos moradores e a quem passava pela via.

O problema acontece em vários pontos da cidade. A vendedora Larissa Pattori Scudeller Prado, 30 anos, está grávida de sete meses e diz que já teve que sair de sua casa, por pelo menos duas vezes, recentemente, por causa desse tipo de queimada. Ela mora na rua Altino Arantes, no bairro Dona Amélia, e narra que, constantemente, pessoas ainda não identificadas colocam fogo em um terreno na esquina de sua casa.

"É terrível. Aquela fumaça preta invade a casa e fico sufocada. Se de um modo geral esse tipo de situação é prejudicial à saúde, imagine com a gravidez. Meu filho e eu ficamos expostos a essa poluição", conta Larissa.

As queimadas no bairro Dona Amélia não provocam prejuízos somente à saúde. A costureira Shirlei Aparecida Machio Braga, 52 anos, afirma que, por várias vezes, teve que parar o serviço por causa da fumaça que invade sua casa. "Toda vez é esse tormento. Temos que sair correndo para a rua; esperamos quase meia hora para poder voltar e tudo dentro de casa fica cheirando mal", diz.

Ontem, a umidade relativa do ar, em Araçatuba, estava em 46%. A OMS (Organização Mundial de Saúde) alerta que índices inferiores a 30% caracterizam estado de atenção; de 20% a 12%, estado de alerta; e abaixo de 12%, estado de alerta máximo.

CONSCIÊNCIA
O gerente regional da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), José Maria Paoliello, ressalta que, apesar de a legislação estadual e as leis municipais proibirem esse tipo de prática, a forma mais eficaz de promover sua extinção é a conscientização. "Tem que haver, sempre, um esforço para mostrar o quanto a queimada em áreas habitadas é nociva, tanto para as pessoas, quanto para o meio ambiente", comenta.

Paoliello explica que a queimada urbana, além dos problemas respiratórios, provoca complicações no controle de vetores e roedores. "Os insetos e pequenos animais que vivem em terrenos baldios e campos abertos nas cidades, para fugir do fogo, migram para os quintais e interiores das residências", explica o gerente regional.

O escritório da Cetesb de Araçatuba atua em 46 municípios da região e aplica sanções às empresas que promovem queimadas em áreas urbanas. As penas variam de 10 a mil Ufesp (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo), ou, atualmente, de R$ 164,2 a R$ 16.420.

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