Exposição de fotos do jornalista Nílton Pavin está no Sesi Araçatuba até o dia 27 de fevereiro

‘Paraísos Proibidos dos Himalaias’

‘Paraísos Proibidos dos Himalaias’

Apartir de hoje, o grande público poderá ver de perto detalhes antes apreciados só por quem vive ou, com sorte, visita a região do Himalaia.

A mostra "Paraísos Proibidos dos Himalaias" fica exposta gratuitamente no Sesi (Serviço Social da Indústria) de Araçatuba até 27 de fevereiro.

As 120 imagens da exposição foram captadas pelo jornalista, escritor e fotógrafo Nílton Pavin, de São Paulo, em abril de 1998, quando incursionou por lugares isolados cortados pela Cordilheira do Himalaia, entre eles Tibete, Butão, Nepal e Índia.

As fotografias retratam o dia-a-dia das pessoas nestes países, sua religiosidade, geografia e costumes destes povos isolados dos ocidentais. Por meio de detalhes da arquitetura de cores vivas e vibrantes, da agricultura rudimentar, das cidades, dos monastérios e dzongs (fortalezas) seculares, o fotógrafo captou um outro mundo.

O título da mostra se refere à proibição de jornalistas em alguns destes lugares por ele visitados. Pavin teve a proeza de fotografar esses territórios depois de um ano negociando com o rei do Butão e com nômades e pessoas que vivem nos outros locais. Ele conta que sua artimanha é morar com essas pessoas, conhecer sua cultura e viver como um membro da família até conquistar sua confiança para fotografar, o que, segundo ele, pode levar uma semana ou até seis meses.

"O mal dos ocidentais é não conhecer a cultura do outro e querer agir como agem aqui. Tenho vantagens por viver muito tempo na região e viajar sempre sozinho, nunca com alguém do lado", revela.

A proteção dessas áreas vem do receio que os budistas têm dos muçulmanos, os tibetanos dos chineses e os butaneses dos turistas. "Ele têm medo de perder suas culturas. Na região da Caxemira (dividida entre a Índia e o Paquistão) há três grupos que defendem que ela seja da Índia, do Paquistão e que querem independência, eles não gostam de jornalistas, não podemos esquecer que eles vivem numa 'ditadura'", explica.

Para o fotógrafo, na mostra o público terá a oportunidade de conhecer uma outra realidade. "Acho que o mais importante é desmistificar a Ásia, porque depois dos atentados de 11 de setembro, o mundo tem receio dos muçulmanos e, ao contrário do que pensam, são extremamente dóceis", afirma.

Outra lição que pode ser tirada é a permissão para ser feliz. "O grande mal do ser humano é que ele não se permite viver e crescer espiritualmente, ele está muito interessado em ter e não em ser. Lá, as pessoas não precisam disso, a preocupação delas é viver bem para morrer bem", acrescenta.

TENDÊNCIA EREMITA - Pavin é o primeiro jornalista brasileiro a entrar no Butão e registrar imagens do cotidiano destes religiosos. Parte do trabalho sobre as milenares culturas asiáticas pode ser vista nos dois livros publicados pelo fotógrafo: "Imagens Proibidas, uma viagem aos mistérios do Tibete e do Butão" e "Imagens da Paz", em que mostra o trajeto de todos os lugares sagrados por onde Buda passou. "Percorri por incrível coincidência. Existe uma teoria de que Jesus teria vivido na Índia e, se ele viveu, também andei pelos caminhos que ele percorreu", diz.

Depois de cinco anos trabalhando como editor da revista "Imprensa", ele decidiu ir conhecer Shangri-La, um local fictício que aparece no filme "Horizontes Perdidos", de Frank Capra, descrito como um lugar situado nas montanhas do Himalaia.

"Desde criança eu queria conhecer esse lugar, por causa do filme. Sou apaixonado pela Índia, pelo Himalaia, adoro a montanha, que é uma coisa sagrada", garante o fotógrafo, que é budista.

Em abril, ele volta ao Himalaia para comemorar os dez anos de lançamento do livro. "Fui para desenvolver um projeto pessoal, que foi o primeiro livro. A exposição nasceu dessa compilação", conta. Após dez anos de captadas, ele garante que as imagens estão intactas. "Elas ficam climatizadas em negativos e digitalizadas em CD. O arquivo deve ter 15 mil imagens".

Para o Brasil, não há a previsão de nenhum trabalho em locais pouco ou nada explorados. "Acabei me especializando em fazer matérias em locais inóspitos, não gosto de lugar que tem gente. Aqui no Brasil já tem muita gente boa fazendo esse tipo de trabalho", finaliza o fotógrafo, que novamente se prepara para pôr a mochila nas costas e ir embora.

SERVIÇO

A mostra "Paraísos Proibidos dos Himalaias" fica exposta até 27 de fevereiro no Sesi de Araçatuba (rua Doutor Álvaro Afonso do Nascimento, 300, Jardim Presidente). De terça a sexta-feira, das 8h às 21h45, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h45. Informações: (18) 3623-4911. Grátis.


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